quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022
Ouvindo Pássaros
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
Bom dia seu porteiro
Às vezes, nem os enxergamos. Eles abrem e fecham portas e portões, zelam pelos espaços comuns, servem onde estão, mas nossa cegueira humana nos faz ignorar a importância do que fazem ou mesmo a sua própria existência.
Esses funcionários estão voltados para o cuidado com os outros, com as entregas e encomendas. Limpam os espaços comuns, servem café, água, além de sorrisos e gentilezas, muitas vezes sem serem notados. Quanta dignidade em seu labor!
Transmitem informações sobre o regulamento do prédio, do que é permitido ou não, têm a sabedoria de comunicar o imprescindível ou omitir o desnecessário. O repasse de informes é mal interpretado por alguns. Não se percebe que estão apenas cumprindo suas obrigações.
Não menos importante, alertam os pais sobre a babá grosseira, o cuidado com os furtos na rua ou o presságio de que vai chover. "Melhor não sair ou então levar o guarda-chuva". Ao abrirem e fecharem portas, exercem grande responsabilidade.
Algum dia paramos para pensar como vivem, se moram perto ou longe, se trouxeram almoço ou jantar? Por vezes, nem sabemos seus nomes. Parar um pouco nas portarias, assuntar sobre sua família e trabalho com o cuidado de não os atrapalhar, já seria um excelente começo.
Boa dia seu porteiro. O senhor já tomou café?
#paratodosverem: ilustração de porteiro de camisa e gravata azuis, com uma caneta no bolso. Ele está segurando uma pequena cesta com suco, pão, fruta, uma flor e uma mensagem com "Bom dia porteiro". Ele esboça um semblante feliz.
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
Eu precisava falar sobre a pandemia
Já estamos perto de finalizar o ano de 2021 e muitas coisas
boas e ruins aconteceram nesses últimos dois anos. Em 2020 fomos
“surpreendidos” por uma pandemia ocasionada por um vírus que já matou milhares
de pessoas no mundo inteiro. Eu ainda não tinha escrito sobre isso, mas só
agora com a situação da covid-19 mais controlada, me senti motivada a falar
sobre o assunto.
Vivenciamos um período de horrores. Pessoas morrendo
rapidamente infectadas pelo coronavírus. Hospitais lotados, pacientes sem
oxigênio, caixões lacrados. Famílias enlutadas que não puderam fazer o velório
dos entes queridos em virtude do risco da contaminação. Por meses, uma parte
considerável da população ficou isolada em casa. Aprendemos, a duras penas, a
trabalhar remotamente e a estudar virtualmente.
Deixamos de encontrar amigos e familiares presencialmente.
Olhávamos para as ruas sem movimentação, mórbidas, cinzas, com vestígios de
luto. Os dias isolados nos mergulhou em nossas dores e medos. Tudo parou,
secou, entristeceu, morreu.
Precisamos, como nunca, buscar reforços no lúdico, nas
artes, na música, na terapia e na fé. Foram fortalecedores num deserto que
parecia não ter fim. Por vezes, pensamos ser o fim. Começamos a valorizar as coisas simples, a
família, o lar, os telefonemas para os amigos, voltamos a jogar com os filhos,
amigos e companheiros. Videochamadas salvavam os almoços de domingo, os
aniversários à distância.
Na cozinha, passamos a ser protagonistas de pratos
improvisados, bem sucedidos nalgumas tentativas, noutras nem tanto. Então
buscávamos outras receitas, outros ingredientes para viver, inclusive. As
relações interpessoais nunca foram tão testadas, casamentos foram desfeitos.
Alguns já não era sem tempo. Houve um redimensionamento dos diálogos, foi
necessário reaprender a conversar, a conviver.
A pandemia foi impiedosa com a mediocridade. Nós
precisávamos ter um propósito, um porquê essencial ou sucumbiríamos. A grandeza
dos verdadeiros líderes foi decisiva, proativa e salvou vidas. A desumanidade
dos maus representantes desmascarou os genocidas. As ações dos corações nobres
e valentes coloriam e transformavam um cenário desolador.
Esse momento disruptivo da humanidade também trouxe com
veemência a solidariedade. Doações direcionadas para os mais vulneráveis,
campanhas se intensificaram para levar comida para a mesa de quem não tinha o
que comer ou mesmo quentinhas para quem não tinha mesa. Muitas mãos e corações
se juntaram para ajudar. A oração construiu superação. Deus se fez presente e
foi âncora a evitar nosso naufrágio.
Hoje, um ano e meio depois do anúncio da pandemia
permanecemos usando máscara, álcool em gel e mantendo certo distanciamento
social. Muitos já estão vacinados contra a covid-19 e a rotina parece voltar aos
poucos. A dúvida é: o que aprendemos com a crise sanitária mundial? Se
retornarmos para o nosso cotidiano no mesmo frenesi de viver sem saber para quê
ou por quê, perdemos uma grandiosa oportunidade de ressignificarmos nossa
existência.
Por outro lado, se a resposta for implementar a mudança de cuidar de si, dos outros e da natureza, o aprendizado foi valioso e fecundo. Como vamos lidar com nossa vida e a dos outros de agora em diante, alinhados ou não, com princípios universais como justiça, honestidade, bondade e integridade, ditará para qual lado o barco da nossa vida navegará ou se ficaremos à deriva de outras fatalidades ou pandemias
quinta-feira, 15 de julho de 2021
O Amigo e a piada
quinta-feira, 10 de junho de 2021
Para além de Amor, Respeito
sábado, 8 de maio de 2021
Mães Anjo
Texto:
Jamille Ipiranga
Ilustração:
Marcilene Damasceno
No Dia das
Mães tradicionalmente levamos um presente, um mimo, um chocolate, flores até,
para as nossas mães. Às vezes, rola um cartão, um teatrinho feito pelas
crianças, podendo se estender para uma cantoria nem sempre tão afinada, mas o
que vale é o amor que envolve mães e filhos. E precisa ser declarado e vivenciado.
Pois é. Mas hoje eu queria falar mesmo é das mães não tradicionais, aquelas que
tomaram a decisão de amar independente da natureza biológica.
Tem aquelas
pessoas que têm a maternidade tão aflorada que não precisou nem parir. É mãe de
coração. As mães que eram tão mães que adotaram um filho porque elas não iriam
se conformar em passar por essa vida sem cuidar de um ser. Poderíamos até
adaptar um texto da música para “um filho pra chamar de seu”. Não sabem nada
sobre a criatura, nem DNA, nem pai, nem mãe. Elas querem. Se tem doença
preexistente, se vai puxar a quem, elas não titubeiam, elas querem. Elas simplesmente
amam.
Outro amor
de mãe, podem ser avós, tias, irmãs, madrinhas, ou nem ter parentesco. Elas se
amalgam na vida dos filhos dos outros, não sem motivo, e amam intensamente. Tem
vó que precisou criar neto, tem tia que viu sobrinho abandonado e pegou para
criar, tem madrinha que assumiu a maternidade pela falta dos pais, tem irmã que
virou mãe, tem madrasta que foi boadrasta, tem mulher que não tinha nada a ver, mas foi
lá e cuidou e amou como uma mãe.
Dentro de
quantas casas essas situações não aconteceram e acontecem até hoje? Quantos de
nós não fomos acarinhados ou salvos por essas mulheres, que muitas vezes, nos
enxergaram, supriram nossas carências, pegaram em nossas mãos, nos tiraram da
solidão e do abandono.
Então, mãe
não só tem uma porque Deus fez milhares. Fez as mães anjo. E elas estão por
todos os lugares, em todas as casas, em todas as vidas. Nesse Dia das Mães e
por que não no ano todo, vamos agradecer também por tantas mães anjo que temos
em nossas vidas. O dia é delas também. Merecem nossos parabéns, amor, reconhecimento
e valorização. Feliz Dia das Mães, mãe, vó, tia, madrinha, irmã, madrasta, anjo.
domingo, 18 de abril de 2021
BBB de Deus
Texto: Jamille Ipiranga
Ilustração: Marcilene Damascento
Refletindo sobre o Big Brother Brasil me deparei com o BBB
de Deus. Às vezes penso que a gente está num reality show e Deus está nos
olhando. Então eu penso: será que estamos agradando a Nosso Senhor? Quanto
tempo mais Ele permitirá que fiquemos na Casa Comum?
Será que minhas atitudes vão me salvar do paredão do
inferno? E nas provas da vida, eu ganho ou perco a misericórdia de Cristo? Faço
tudo ao meu alcance para que outras pessoas vençam comigo ou sou implacável e
quero o pódio da vitória só pra mim?
Se eu tivesse um anjo para dar, protegeria a pessoa correta?
Melhor: eu tenho realmente sido anjo de alguém? Da minha família? Amigos?
Desconhecidos? Ou estou fazendo as alianças com as pessoas erradas? Priorizando
as coisas terrenas em detrimento das eternas?
Se eu fosse monitorada 24h pelo Espírito Santo, o que seria
selecionado para ser exibido em rede divina? Minhas lamúrias e lamentações?
Minha maledicência da vida alheia? Onde está o foco da minha vida? No bem ou no
mal?
Sendo líder e tendo abundância de bens, como vou agir?
Reconheço os talentos de outras pessoas? Distribuo com quem não tem? Incluo ou
excluo? Até onde vai verdadeiramente a minha fé? Pago o preço e vou até o final
para ser uma pessoa do bem? Ou tenho me limitado em cancelar quem eu não
aprovo?
Se eu for selecionada para ir para o quarto secreto ou um fazer
um isolamento social, vou aproveitar para repensar minhas atitudes? Ou vou
retornar para o jogo da vida sem fazer mudança nenhuma? Ou pior ainda, voltar
mais implacável e com vontade de me vingar das pessoas? Vou aproveitar melhor o
tempo ou continuar numa corrida frenética e dispersa?
Nossa vida acaba sendo um eterno Big Brother, onde seremos
avaliados pelas nossas ações. Nosso dia a dia vai definir se caminharemos para
uma estrada aparentemente mais difícil, cuidando de si e dos outros ou se
optaremos em viver na xepa das emoções egoístas. O que vale mais: ser ou
vencer?
Cuidemos, portanto, desse grande reality show que é a nossa
própria vida porque não será um público qualquer que irá fazer a escolha do
certo ou errado. O julgamento será superior ao humano e usará critérios como
amor, solidariedade e compaixão para avaliar se ganharemos o prêmio final.
Cuidemos para subir o pódio certo do grande show da vida, que virá inevitavelmente
após a morte. Se cuida, brother!


