domingo, 24 de janeiro de 2021

O que foi 2020 e o que precisamos ser em 2021




Texto e imagem: Jamille Ipiranga


O ano de 2020 foi um ano de pandemia, de adoecimento, de milhares de mortes, de enterros sem velório, partidas sem despedidas. Um ano que preparou nosso despreparo, nosso destempero e nosso desamor. Por outro lado, também foi um ano de estar mais perto dos seus, dialogar mais com a família, conversar com os amigos, doar mais, pensar mais e em silêncio se manter.

Houve uma reinvenção de viver. Teletrabalho, cursos online, lives musicais, doações virtuais. Fomos solidários sem sair de casa. Tudo muito novo e inédito. Em momentos nos adaptamos, noutros nos desesperamos. Isolados por meses dentro de casa, a convivência não era fácil, mas o silêncio tudo acalmava. E no dia seguinte, novo ânimo reiniciava.

Fizemos aniversários, bingos, reuniões e comemorações conectados por um link, por videochamadas. Estávamos presentes de alguma maneira. Estudamos em salas de aula online, defendemos monografia virtualmente, colamos grau em estilo Drive In. Impensável! Recebemos presentes, cartões e mimos em datas comemorativas ou não, que nos davam um alento que o amor estava por perto, em formato de carinho.

A forma de comunicação eficaz também mudou. Uma videochamada nos alegrava. Fizemos cafés remotos com conversas reais. Nunca foi tão bom atender um telefonema! Fizemos dinâmicas entre amigas de ligarmos umas para as outras. Passamos horas em conversas. Voltamos às antigas. Vovós, netos, pais e filhos, familiares e amigos se conectaram de formas que nunca imaginaríamos.

Odiamos e nos apaixonamos por nós mesmos, por quem somos, por quem nos tornamos. Às vezes falávamos, em momentos calávamos, muitos instantes soluçávamos. Foi um turbilhão de coisas e ao mesmo tempo, nada. Nada de sair, de encontrar, de aglomerar. Havia um caos interior misturado com um por vir esperançoso que essa fase iria passar.

2021 chegaria. Tudo iria embora. Doença, coronavírus, máscaras. Nada! O Ano Novo rompeu e milhares de vida continuaram a ser perdidas. O adoecimento chegou, o isolamento foi necessário e voltamos a 2020. Entre medo e cuidados, vamos seguindo esperançosos mesmo que o normal não volte a ser como antes. 

Acreditamos firmemente que tudo tem um propósito. Mesmo que precisemos viver de outra forma e realmente precisamos. Mesmo que não estejamos preparados. Releituras, amor em qualquer situação e presença carinhosa são as maiores lições que 2020 e 2021 nos têm dado. Sigamos nossos corações irmanados com nossa essência de servir e amar para além dos anos de pandemia.

domingo, 18 de outubro de 2020

Maria: Alegria e Adoração



Texto: Jamille Ipiranga
Ilustração: Mirella Fernandes

Amália entrou no consultório do obstetra carregando no ventre seu primeiro filho ou filha. A gestação, recém descoberta, já entrava no terceiro mês. Era um misto de alegria e receio.

- Dr. Malan, aqui estão os exames que o senhor pediu.

O médico leu os resultados, ficou um pouco em silêncio, e pausadamente disse à Amália que ela deu positivo para toxoplasmose. Seguiu com a explicação.

- Antes de mais nada, quero informar que tem tratamento, mas preciso alertar para alguns riscos. O bebê pode ter problemas de visão, de desenvolvimento mental e há possiblidade de aborto.

Apesar de toda habilidade do médico, as respostas desestabilizaram Amália. Saiu desalentada. Perder um filho que ainda nem tinha nascido. Cegueira ou debilidade mental, eram as opções mais vantajosas. Recorreu à Mãe das mães.

- Nossa Senhora, afasta esse cálice do meu rebento. Rogo que meu filho nasça. Cuidarei dele de maneira abundante. Coloca em meu caminho outro filho e que com ele eu tenha uma missão. Até essa criança completar 15 anos, serei sua guardiã. Eu creio na tua Graça!

Passaram-se seis meses. Amália fez o tratamento prescrito pelo médico, realizou exames e perseverou na oração a Nossa Senhora, sua guia e protetora. Sentia-se amparada pela Virgem Maria de maneira que só a fé explicava.

Antes do parto, havia dois nomes que Amália titubeava em escolher: Letícia ou Larissa. O primeiro nome significava alegria, e o segundo, adorável. Era assim que ela sentia sua filha: uma adorável alegria! Não sabia por qual decidir, mas uma coisa era certa: parto cesárea! Ela lá queria sentir dor. A data não poderia ter sido outra, dia 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida.

Letícia nasceu dia 6 de outubro, de parto normal. Foi tudo como Amália não havia planejado, mas Nossa Senhora havia preparado. O teste do pezinho foi feito e Maria Santíssima foi louvada. A criança nasceu completamente saudável. A felicidade de Amália era indizível. Havia alcançado duas graças: era mãe pela primeira vez e sua filha era sã. Mãe e filha eram um só corpo, um só coração. Letícia veio ao mundo trazendo amor e a alegria que seu nome anunciava.

O vínculo com Nossa Senhora ficou mais forte e Amália pediu para que a Santa lhes mostrasse o outro filho que ela cuidaria. Ela saberia quando o encontrasse.

Confidenciou à sogra Rute sua promessa. Ambas foram fazer uma visita a uma criança que acabara de nascer. Chegando na casa humilde, foram recebidas por dona Maria, a avó da criança adorável, que se chamava Larissa. Amália exultou de alegria e deu graças por ter recebido um sinal tão preciso da filha que Nossa Senhora lhe enviou.

Amália amou Larissa desde a primeira vez que a viu, sentiu-se maternalmente ligada a ela. Foi escolhida para ser sua madrinha. Letícia e Larissa estudaram na mesma escola, faziam os mesmos cursos e dividiam as mesmas amizades. O vínculo entre elas, abençoado por Nossa Senhora, uniu Amália, Letícia e Larissa para além de uma promessa. Tratava-se de algo muito maior. Tratava-se de amor, fé e graça.

Letícia e Larissa hoje têm 22 anos, são grandes amigas, estudam Direito e são jovens especiais com um coração generoso. Amália as consagrou à Nossa Senhora e o vínculo entre as três as une de maneira que só um amor de Mãe alcança a compreensão. Elas contam com Maria.

domingo, 3 de maio de 2020

Os que já se foram





Texto e imagem: Jamille Ipiranga

Mais uma vez eu tive um sonho, que insiste em me dizer para eu escrever. Eu teimo muito.
Nele, no sonho, era dito, não sei por quem, que devemos deixar nossos falecidos ficar perto de nós. Não para nos entristecermos pela dor da ausência, da falta da presença física. Não é isso, apesar de acontecer frequentemente...
A ideia é lembrarmos dos que já se foram a partir do bem que fizeram, das atitudes realizadas. No meu caso particular, é trazer para o meu cotidiano minha mãe. Que fez tanto! Ela cozinhava, costurava, bordava, escrevia, rezava, se importava, ligava, cobrava, e como (rs), ela realizava e dava risada. Contava piada, algumas cabeludas. Nesse caso, ela não se importava. Mamãe tinha intensidade na sua humanidade. Não passava despercebida nem por gente, nem pelos bichos, nem pelas plantas. De tudo sabia, pois lia, e ria. Esse final de semana, em tempos de quarentena, fiz algumas das suas receitas "clássicas", como diria meu irmão Sávio, e foi como senti-la ao meu lado.
Voltando para o sonho, a mensagem é essa: deixar viver os "mortos". Contar suas histórias, manter o espaço deles em nossa vida. Nada de evitar falar. Quem sabe reunir a família para contar os causos de alguém amado, que só não está presente fisicamente. Afinal, se acreditamos em ressurreição, essas pessoas vivem!Pois bem, esse era o desejo do sonho, ou meu mesmo. Deixar viver e incluir na nossa rotina mais rotineira, o amor e a vida das pessoas que já se foram desse plano, mas se fazem presentes pela importância e pelo legado que deixaram.
A propósito, essa semana mamãe completaria 78 anos de vida. Deixou muita história boa que precisa ser recontada. 


quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Coral Dona Lúcia

Foto: Beatriz Belchior

Repórteres: Beatriz Belchior e Jamille Ipiranga

A falta de um dos cinco sentidos fez sobrar dedicação e amor na vida da regente do coral infanto-juvenil Dona Lúcia. Maria de Fátima Carvalho, 26, chamada carinhosamente de Fatinha, perdeu por completo a visão aos sete anos de idade em decorrência da retinopatia da prematuridade, doença ocasionada devido ao parto prematuro, como no seu caso, nascida após apenas seis meses de gestação.

A mãe de Fatinha, dona Lúcia Carvalho, 61, inspiração para o nome do coral, conta que o interesse da filha pela música surgiu ainda muito cedo, sempre cantando com alegria pela casa. A mãe fala com emoção sobre o trabalho feito por ela. “Eu sinto que a luz que faltou nos olhos dela, tá em sobra quando ela mostra o mundo para as pessoas. Ela não vê o mundo, mas ela mostra pra gente bem direitinho”, pontua a mãe, com orgulho.

Fatinha teve seu primeiro acesso de aprendizado na música também aos sete anos, após a perda da visão, logo que entrou no Instituto dos Cegos e teve contato com a flauta doce, seu instrumento xodó. Mas não parou por aí. Ao longo dos anos, Fatinha continuou a buscar mais da música, mostrando seu dom com outros instrumentos e com sua voz. Amante da arte, Fatinha não se convenceu dos limites, formou-se em Teatro pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), e atualmente está cursando mestrado em música na mesma Instituição.

Durante sua graduação em Teatro, Fatinha recebeu a missão de desenvolver um projeto social para apresentar em uma das disciplinas do curso. Era período natalino de 2015, e ao assistir a apresentação do coral de crianças no Natal de Luz da Praça do Ferreira, Dona Lúcia sugeriu que a filha formasse um coral com as crianças do bairro Aerolândia, onde residem. Fatinha relutou em por em prática a ideia, pois achava que não seria possível ensinar crianças que não fossem cegas como ela, mas foi impulsionada pela mãe a pelo menos tentar. “A gente começou de repente, com a ideia de tentar mudar um pouco a realidade das crianças aqui do bairro, mas foi um desafio. Eu não me achava capaz de dar aula para crianças que enxergavam. “Logo eu que não vejo nada. Foi realmente uma quebra de barreiras para mim”, afirma Fatinha.

O projeto começou com oito crianças e hoje, após quatro anos de existência, esse número quase quadruplicou. Fatinha conta que além de sua mãe, as crianças foram as maiores incentivadoras para a continuidade do Coral. “Tia, bora continuar, aí fizemos dia das mães... Tia, bora continuar, aí fizemos o dia das crianças... Tia, bora continuar, aí fizemos outro natal”, relembra entusiasmada.

 “Cada criança que eu tenho aqui é um pedaço do meu coração. Elas me amam igual, são como se fossem minha família. “Às vezes as pessoas reclamam: por que tu gasta tanto com essas crianças sem ter condições? Simplesmente porque as amo e a gente não abandona a família”, conclui Fatinha.

As crianças que participam do coral tem entre 4 e 14 anos e tem motivações diversas, desde gostar de música, se divertirem ou ter sido incentivadas por outras crianças que já participam do projeto.

Fatinha, a regente, é tia da Sofia Lima, 9, que se sente orgulhosa da regente, e diz que quando viu a tia cantando, também quis cantar. Galinha pintadinha foi a primeira música que ela se inspirou e está no coral desde a sua criação.

As músicas e as professoras motivam Marcos Vinícius, 11, a tocar flauta e cantar no coral, mas ele diz que quer, na verdade, é trabalhar e ganhar dinheiro.

Rayanne Santos, 13, comenta que diminuir a timidez de cantar e aprender coisas novas é o que a faz participar do coral. Já para Mayara, 8, que entrou aos 6 anos de idade, quando indagada sobre o que ela acha de cantar e tocar flauta, ela afirma: “os dois são minha vida”. Finaliza dizendo que no coral dona Lúcia eles têm amor.

Sob a ótica de Késia Cavalcante, 10, que foi trazida por uma amiga: “Aqui eu tenho várias amizades, posso aprender a tocar algum instrumento e é bom para eu cantar, pois canto na igreja. Eu achei bem legal porque aqui é de graça, dá lanche, a tia Fatinha ensina a gente a cantar, tocar instrumento, e quando a gente erra alguma coisa, ela ajuda a melhorar os nossos erros.” Késia finaliza explicando que o próximo passo é aprender a tocar piano.

Aos quatro anos, Maria Eduarda conta que gosta de cantar “Borbuletinha” e vem acompanhada da mãe e de Miguel, de 6 anos. A influência de uma criança sobre outra fica clara nos depoimentos.

Vitória Cordeiro, 12, que sonha em ser modelo, é uma das mais “antigas” no coral, pois está desde os 5 anos. Afirma que estar no coral a faz feliz e se sente bem em ver a felicidade da Fatinha, regente do grupo. E sobre ela resume: “Ela faz tudo por nós”.

Rosália Cordeiro, é a mãe da Vitória, que participa desde os 5 anos. Percebe-se que tem muito orgulho da filha integrar o grupo, elogiando a Fatinha, pois afirma que a regente traz a alegria por onde passa, e se sente realizada pela participação da filha que não falta às aulas.

Maria Gabriele, 11, conta que entrou logo no início da formação do coral. Saiu uma vez, mas voltou.“Nas fotos, eu estou em todas e meu maior sonho é ser cantora”, fala com firmeza e alegria.





quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Nomofobia: uso abusivo de celular gera novas doenças, como o "Efeito Google"


Fonte: Matéria veiculada no Diário do Nordeste dia 30/10/2019


Nomofobia: uso abusivo de celular gera novas doenças, como o "Efeito Google"

 Você desbloqueia o celular, frequentemente, para conferir se há mensagens, recados, e-mails novos? Tem a impressão de que o celular vibrou quando está no bolso e quando vai conferir não há nada? Perde a noção do que está acontecendo em volta quando está concentrado na tela do smartphone? Confere o celular quando acorda, quando vai dormir e até no trânsito?
  
O QUE É NOMOFOBIA
Todas esses sintomas acima se referem a novos diagnósticos clínicos de uso abusivo de smartphones. A dependência tem vários níveis: vai da falta de educação digital, que inclui a dificuldade de equilíbrio sobre o tempo e locais de uso, até o nível patológico. Segundo a psicóloga Anna Lucia Spear King, doutora em saúde mental do Delete, núcleo especializado em Detox Digital, na UFRJ. 

O que é uma pessoa viciada em celular e WhatsApp? Os tratamentos existentes no Ceará

'Síndrome do Smartphone': aumenta casos de doenças físicas pelo uso excessivo de celular

'Me dá o celular!' Dilemas dos pais ao educar os filhos; pergunte a especialistas

Crianças de 5 anos já são tratadas em decorrência da dependência de celular em Fortaleza; entenda

60% dos empregados utilizam o celular para fins profissionais fora da jornada de trabalho

Crianças que comem com celular podem ter distúrbios alimentares, alertam especialistas

Os pesquisadores do Instituto Delete diagnosticaram diversos transtornos relacionados, além da nomofobia em si, que é o medo de ficar sem o celular. Existe o “Efeito Google”, que acontece quando o cérebro humano começa a segurar menos informações porque sabe que vai obter respostas com poucos cliques. Outro transtorno é o de “Invisibilidade Social”, que ocorre quando a pessoa negligencia o que está em sua volta por estar concentrada na tela do dispositivo. 
QUAIS OS NOVOS DIAGNÓSTICOS CLÍNICOS? INDIQUE SUA DEPENDÊNCIA
Tem ainda a “Síndrome do Toque Fantasma”, que é quando o cérebro faz com que você pense que o celular está vibrando no bolso, quando não está. O Instituto Delete também mapeou a “Depressão do Facebook”, causada pela comunicação na rede social.  
“As pessoas vão para as redes sociais quando têm depressão pra se sentirem menos deprimidas, se sentirem participando, inseridas em algum contexto ou não se sentirem só. Mas, ao menos tempo, elas podem se sentir mais deprimidas se acreditarem em tudo o que é postado porque nas redes sociais, as pessoas só postam o melhor”, explica a pesquisadora do Delete. 
SOMOS MAL-EDUCADOS DIGITALMENTE?
“As pessoas que têm esse uso excessivo diário, na verdade, são mal-educadas digitalmente, não sabem usar a tecnologia no dia a dia dando limites. Elas usam no teatro, no cinema, elas usam em companhia de outras pessoas, elas usam até em velório para tirar selfie com o morto, ao fundo”, relata Spear. As cenas, por mais exageradas que possam parecer, são reais e cada vez mais comuns. A balconista Liana Araújo, por exemplo, confessa que não larga o aparelho:
Não tem como ficar sem, já é um vício. Às vezes, a gente se comunica até em casa. Por exemplo: estou no quarto; minha irmã, na cozinha. Ao invés de falar, mando mensagem.  
A irmã, Lívia Maria, de 14 anos, confirma a história. "Vamos supor que ela quer um suco, um pão. Aí ela manda a mensagem: ‘Lívia, faz isso pra mim’. Aí eu vou lá e faço”. 
DEPRESSÃO E ANSIEDADE SÃO AGRAVADAS COM A DEPENDÊNCIA DIGITAL; SONO É OUTRO TRANSTORNO
Quando o uso do celular se torna desequilibrado e começa a afetar efetivamente áreas do cotidiano, é possível que a dependência esteja evoluindo. A psiquiatra Tatiana Pinho, do ambulatório de Psiquiatria Geral do Hospital Universitário Walter Cantídio explica que o vício patológico se manifesta “quando existe um descontrole nesse uso”. 
Esse uso acaba interferindo em diversas esferas. “O tempo vai passando e a pessoa perde a percepção disso e deixa de fazer coisas que poderiam ser importantes como estudo, trabalho, contato com os amigos, com a família”, afirma Tatiana. E, geralmente, começam a surgir consequências práticas. “Fim de relacionamento, problemas com filhos, perda de emprego, problema em relação a estudo, a dificuldade de concentração em torno do celular”, esclarece.  
A psicóloga Tamara Maia, que atende pacientes na rede particular de Fortaleza, explica que o “vício na internet ou nas tecnologias de forma geral é comparado a outros tipos de vício, por exemplo, o vício de compulsividade alimentar ou em drogas”. Ela explica que “é algo que é prazeroso naquele momento mas que, realmente, cria uma relação de dependência e nenhuma relação de dependência é positiva”, afirma. 
A estagiária de pedagogia Artemmisia Oliveira conta que já sofreu muitos prejuízos na rotina em razão do uso excessivo de celular. Por causa do filho pequeno, evitava pegar o aparelho de dia. Mas à noite, abusava. 
Ficava no celular até duas e meia da madrugada, três, assistindo filme, respondendo às pessoas, olhando Instagram, Facebook, e isso atrapalhava muito a minha rotina, meu sono 
E mesmo depois de já ter desligado o celular pra dormir, Artemmisia voltava a checar a tela. “Se eu fosse pro banheiro, na volta, eu tinha que dar aquela conferida, pra ver se não tinha mensagem, alguma coisa", conta. “No outro dia, estava esgotada”. 
A insônia é uma das consequências possíveis geradas pelo uso abusivo do celular. Mas há outras. A psicóloga do Delete, Anna Lucia Spears, explica que a dependência é patológica quando está associada a algum transtorno mental, como ansiedade, depressão, compulsão, transtorno do pânico que potencializam o uso das telas. 
“Muita gente passa a viver a realidade da internet, então, passa o dia todo com a necessidade de checar, tirar fotos, conferir curtidas. A pessoa passa a viver muito presa em torno disso, o que pode acarretar ou agravar quadros já existentes de depressão e de ansiedade”, explica a psicóloga Tatiana Pinho, do HUWC. 

 Fonte: Matéria veiculada no Diário do Nordeste dia 30/10/2019


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Como realizar sonhos através da educação





Nascida no interior do Ceará, no Município de Morada Nova, Keivianne da Silva Lima Reges foi morar em Limoeiro do Norte ainda bebê. Teve uma infância tranquila até os sete anos, quando seu pai saiu de casa. Poderia ser mais uma das tantas crianças que não tiveram oportunidades e iriam engrossar as fileiras do desemprego, de uma vida estritamente doméstica, sem vislumbrar muitas perspectivas.
Mas para ela foi diferente. Por quê? Não se sabe ao certo, mas o que se tem certeza é que a educação foi o trunfo que Keivianne teve para conseguir um futuro diferente.
Para sustento da família, teve que ajudar a mãe, fazendo e vendendo salgados na vizinhança e bairros próximos da sua casa. Depois foi trabalhar como babá para ajudar à mãe, que ainda tinha uma filha pequena e não recebia pensão alimentícia do pai. O salário de Keivianne era a receita principal da casa.
O relacionamento com a mãe e as irmãs era de união, resguardando um amor por essa pequena família.
Casou-se aos 17 anos. Outra vez, a vida poderia ter tomado um rumo mais “normal” para as adolescentes que casam prematuramente. Poderia ter deixado de estudar, trabalhar e ter filhos nessa idade. Novamente aconteceu diferente para Keivianne. Ela continuou trabalhando e estudando, pois tinha o sonho de se formar. Eis aqui outro aspecto marcante da sua trajetória: ela tinha um sonho, que a afastou, mais uma vez, das estatísticas das meninas da sua idade que casavam. O casamento entre educação e sonho a direcionou para outros caminhos.
         Os filhos só vieram depois da formatura. Aos 28 e 30 anos, ela teve a experiência da maternidade, outro momento marcante em sua vida, mas que foi decidido com maturidade e no momento apropriado, para que ela pudesse realizar mais um sonho: o de ser mãe.
         A convicção do estudo veio de várias fontes inspiradoras: a mãe, que a incentivou, não permitindo que ela desistisse de estudar, mesmo estando cansada do trabalho. O esposo, que possuía um curso técnico, e falava muito sobre sua experiência no meio acadêmico, tendo sido o seu maior incentivador, financiando cursinhos e vestibulares, e a família para quem ela trabalhava, em que os patrões eram formados, situação que lhe chamou a atenção.
         A sua percepção de que os estudos mudavam a vida das pessoas foi decisiva para ela querer essa mudança. Ter um salário melhor, e consequentemente uma condição financeira mais elevada, foram fatores que a motivaram a persistir no mundo acadêmico.
         Mas a obstinação em alcançar seus sonhos também trouxe desafios. Como trabalhava na adolescência, não tinha muito tempo para se dedicar aos estudos, portanto, a base teórica foi prejudicada. Foram necessários vários cursinhos preparatórios e vestibulares até conseguir passar. O primeiro ano da graduação também foi muito difícil devido às mudanças e a distância da família. Após adaptar-se, conseguiu ter ritmo de estudos e a entrada no mestrado foi algo natural.
Quanto à universidade pública, ela se surpreendeu positivamente, pois desde que comprovou sua “baixa renda”, logo conseguiu moradia com água, luz e internet dentro da própria universidade, além de uma bolsa de incentivo na qual podia custear sua alimentação.
Já no mestrado, teve a oportunidade de ir para a Universidade Federal do Ceará mediante o recebimento de bolsa, com acesso ao restaurante universitário, onde fazia suas duas principais refeições a um custo muito baixo.
Sua especialidade é a área de produção de mudas de espécies frutíferas e o reuso de água na agricultura. Houve forte identificação com a agronomia pelas inúmeras possibilidades de atuação e pela região que reside ser um polo produtor.
Entre o mestrado e o doutorado, fez-se mãe, somando outras jornadas na sua trajetória. Atribui a sua determinação à muita fé e força de vontade, além da ajuda da família, e em especial do esposo. Elencando suas prioridades, ela afirma que quase sempre vem primeiro os filhos, e depois o doutorado, por ser o sustento da família. O marido se encontra desempregado e a bolsa do doutorado é o que mantido Keivianne na universidade, pois se não fosse isso, teria que parar de estudar.
Keivianne da Silva Lima Reges é engenheira agrônoma, formada na Universidade Federal Rural do semiárido UFERSA, campos Mossoró-RN, fez Mestrado na Universidade Federal do Ceará UFC-CE, e atualmente é Doutoranda na Universidade Federal Rural do semiárido-UFERSA, campos Mossoró-RN.
E ainda tem muitos sonhos a realizar, inclusive de inspirar seus filhos a realizar os seus.

domingo, 1 de setembro de 2019

Reportagem - Os desafios que os venezuelanos enfrentam no Brasil



       Diante da crise econômica, social e política que a Venezuela vem enfrentando, o Brasil tem recebido inúmeros cidadãos daquele país. Eles têm migrado para vários estados como Roraima, Pará, Amazonas, Ceará, dentre outros destinos. Em Fortaleza, não há estatísticas precisas, mas vários venezuelanos estão vivendo na cidade, enfrentando inúmeras dificuldades como regularização de documentação, moradia, emprego, educação para as crianças, acolhimento de forma geral.

       Muitos dos venezuelanos tem se dirigido ao Serviço Pastoral do Migrante, uma ação específica da Igreja Católica existente há 35 anos, que oferece um serviço de acolhida aos migrantes e refugiados, além de prestarem informações sobre documentação necessária para se regularizarem, indicação de postos de trabalho, além de ajuda humanitária, mas ainda é não é suficiente para atender às demandas de tantas pessoas que estão optando em morar em Fortaleza, sejam eles de outras cidades, estados ou países.
       A irmã Idalina Pellegrini, da Congregação Missionárias Scalabrinianas, explica que no Ceará não existem políticas públicas direcionadas para os migrantes, diferentemente de São Paulo que já consolidou iniciativas em favor dessa parcela da população. Ela, juntamente com outras irmãs, estão na Arquidiocese de Fortaleza desde 1995, a convite do Arcebispo Dom Aluísio Lorscheider, e junto a leigos voluntários, coordenam o serviço Pastoral dos Migrante. Relata que, entre os anos de 2010 a 2013, nosso Estado também recebeu muitos estudantes africanos, com a promessa de um custo de vida barato e que se defrontaram com uma realidade diferente da que foi anunciada para eles. 
       A missionária informa que “No ano de 2018, intensificou-se a chegada de venezuelanos. A Pastoral do Migrante acolheu mais de 45 pessoas que chegaram sem nenhuma referência, mães grávidas com crianças, necessitando de moradia, alimentos, escola e orientação. Na cidade muitos outros se estabeleceram com seus próprios recursos”, comenta.  Em alguns casos, recebem cestas básicas e bolsa família.  Alguns conseguiram emprego, outros não. Irmã Idalina ressalta ainda, que alguns venezuelanos tem diploma superior e elevada qualificação, mas diante da dificuldade de emprego, eles tem exercido funções como vendedor ambulante, pedreiro, auxiliar de pedreiro, motorista, cozinheiro, faxineiro, entre outros, para conseguirem efetivamente uma oportunidade de trabalho, muitas vezes temporário.
       Conversamos com José Pinheiro Castillo, natural de Caracas, engenheiro de informática, mora no Brasil desde 2016, residente em Fortaleza a partir de abril de 2018.  Ele conta da saga que é sair de Caracas, passar por Pacaraima em Roraima, dirigir-se a Manaus, onde a dificuldade de trabalho com carteira assinada é muito maior, e finalmente, chegar em Fortaleza. Hoje, esse percurso, está durando em torno de 12 dias. Na busca de uma vida melhor, esse venezuelano, assim como milhares de conterrâneos seus, abrem mão de casa, emprego, família, sonhos, para tentar uma nova vida no Brasil, pois a sua terra só traz incertezas e instabilidades. Precisa ter coragem para sair, mas também precisa ter coragem para ficar lá. De toda forma, aquele povo tem sido bravo. Advertiu que sua irmã e um sobrinho ficaram morando na casa deles e cuidando de uma fazenda, pois senão o “governo pode tomar conta dos seus bens”. Há os comunas, que são “olheiros” que espreitam se os imóveis estão abandonados para informar ao governo, e este, tomar posse.
       Castillo se intitula apolítico, é avesso a radicalismos e contrário à política econômica implantada pelo Presidente da Venezuela Nicolas Maduro. Para o governo do seu país, ele é considerado “traidor da pátria”, assim como todos que foram morar noutro lugar sem autorização.
       Ele já é residente permanente no Brasil, trabalha atualmente num pequeno mercadinho como empacotador, mas sonha em colocar um negócio próprio em sua área: assistência técnica em computadores, conserto de notebooks e impressoras.  Também atua como voluntário na Pastoral do Migrantes às terças e quintas, auxiliando outros venezuelanos, que como ele foi um dia, não sabem por onde começar. Do engenheiro de informática que atuava em Caracas ao empacotador do mercadinho em Fortaleza, José Castillho, mantém os sonhos e a esperança de uma vida melhor.
       Há jovens voluntários que se identificam com a causa dos migrantes. Sandra Cristina Pina Costa e Lucas Mateus Diniz Miranda participam do “Programa Magis”, um programa nacional voltado para a juventude no âmbito social e espiritual. Ambos são voluntários num espaço que acolhe migrantes venezuelanos e constatam que as maiores dificuldades enfrentadas por eles são um espaço para ficar, estudo para as crianças e emprego para os adultos. Afirmam que os que chegam até Fortaleza, vem de Belém ou Manaus, e querem trabalho para se sustentarem. Sandra Cristina e Lucas Mateus são naturais de outro estado brasileiro e conhecem bem o dilema de não estar em sua cidade natal, daí o carisma e a missão de acolher pessoas de outros lugares e nacionalidades.
       Uma família formada por sete pessoas, sendo quatro adultos e três crianças, moram no Bairro Pirambu e tentam realinhar suas vidas a partir da realidade fortalezense.
       Yitza Medina, vinda de Caracas, reside aqui com seu esposo, Gregory José Medina, seus três filhos que tem as idades de um mês, dois e nove anos, seu pai, Gerson Medina e seu cunhado, Angel Hernandes. Todos sem emprego formal, mas esperançosos e ansiosos por trabalharem e se capacitarem. Uma característica marcante dos venezuelanos é que eles se qualificam incessantemente. Yitza é administradora de empresas com especialização em comércio exterior, mas já fez cursos de confecção de bijuterias, bordados em sandálias, manicure, decoração de festas, além de falar espanhol (sua língua pátria), inglês e está matriculada num curso gratuito de português. Paga o transporte para se deslocar para o curso de português com as bijuterias ou outra arte que tenha feito na semana. Apesar de tanta qualificação, ela se dispõe a trabalhar em qualquer área, inclusive fazendo unhas, faxina e arrumação de casas. Não se sente inferior por aceitar qualquer tipo de trabalho. Parece que se habituou a grandes enfrentamentos e está sempre disposta a aprender mais. A maternidade não é um empecilho quando se pergunta como ela fará para trabalhar com três crianças em casa. Ela responde que junto com o esposo Gregory, se revezariam, sem falar que as crianças maiores já estão matriculadas numa creche perto de casa. Durante a entrevista, Yitza amamentou Valentina de um mês de idade, uma bebê brasileira, que complementa essa família de obstinados. Conclui que pretende revalidar seu diploma de graduação e especialização e não vê a hora de voltar a trabalhar.
       Angel Rafael Hernandez, é casado com a irmã de Yitza, Karen Yuliet Medina, aguarda sua esposa terminar o curso de Direito em Caracas para trazê-la ao Brasil e tem um currículo de policial invejável. Realizou curso de treinamento policial, de reação tática do veículo anti-emboscada, de proteção tática e controle de riscos SWAT, curso internacional sobre proteção executiva e supremacia em ação, curso de artes maciais mistas e tantos outros cursos técnicos. Como eu falei anteriormente acerca dos venezuelanos, Angel Rafael também tem versatilidade para realizar outras atividades, pois trabalhou como florista, plantou, colheu e vendeu flores. No Brasil, Angel atuou como ajudante de pedreiro em algumas obras, mas atualmente não está trabalhando. Ele, diferentemente de Yitza e Gregory, ainda não entende bem português, o que dificulta mais ainda sua empregabilidade. Quer atuar na área de segurança, mas não sabe por onde começar.
       O esposo de Yitza, Gregory José Medina, tem formação em gastronomia, conserta telefones celulares e trabalhou como supervisor de loja de telefonia. Gregory foi o pioneiro da família a sair da Venezuela, mudar seu destino, ir à Colômbia, passar um ano, mudar novamente e vir para o Brasil, escolhendo por último, Fortaleza para morar e trazer a família. Na Colômbia a experiência foi extenuante, trabalhava de 7h30min às 23h30min e ganhava o relativo a R$ 25,00 por dia. Definitivamente, não aguentaria. Ele pesquisou e achou que o Brasil fosse uma melhor opção. Mudou. Viajou. Foi a Manaus, foi a Belém, mas preferiu Fortaleza. Trouxe a esposa, os filhos, o sogro e o concunhado. Uma nova realidade o esperava, ou melhor, ele fez uma nova realidade surgir.
       Em Manaus, foi à Polícia Federal, e tirou “carta de refúgio”, uma identidade com validade de um ano, mas não se adaptaram na capital amazonense. Sentiram-se discriminados, provavelmente por já existirem muitos migrantes naquela cidade. Escolheram Fortaleza por ser uma cidade turística e ter mais oportunidades para pessoas com a sua formação inicial: cozinheiro profissional. Decidido o destino, vieram ele, a esposa e os dois filhos.
       Nesse momento, me coloquei no lugar deles, lembrei das viagens que fizera, quando chegava cansada do trajeto. Já tive de pegar ônibus, taxi, uber, ou ter algum familiar esperando, essa é a melhor das opções disparadamente.
       Quando Gregory e Yitza chegaram na rodoviária, não havia ninguém para recebê-los, não tinham para onde ir, onde ficar, não sabiam o que iam fazer, nem o que comer. Essa é a realidade de chegada dos refugiados. Uma completa indefinição do por vir, mas uma luta destemida pela sobrevivência. Seguiram com R$ 200,00 para viver em Fortaleza. Obtiveram algumas informações e foram para um abrigo de casais em situação de rua no Bairro Presidente Kennedy. Sentiram-se acolhidos. Tinham um lugar para dormir e refeições. Deram graças a Deus e são muito gratos a essa instituição. Passaram algum tempo nesse abrigo.
       Alguns meses se passaram e hoje conseguiram obter documentos como carteira de identidade e CTPS. Moram numa casa no Bairro Pirambu, recebem um benefício do bolsa família, ganham algumas doações de alimentos, e fazem alguns “bicos”. Yitza vende bijuterias e sandálias com pedrarias, Gregory vende cintos de segurança para crianças, mas alega dificuldade porque o brasileiro ainda tem preconceito com esse tipo de objeto, comparando a coleiras de cachorro, e o sogro e concunhado, conseguem trabalhos como pedreiro e ajudante, esporadicamente.
       A família tem vários sonhos: Gregory quer colocar um carrinho para vender comida venezuelana, Yitza quer trabalhar na área de comércio internacional, e Angel Rafael, que foi da Polícia Nacional da Venezuela, pretende trabalhar na área de segurança. O sogro pretende trabalhar como pedreiro e ter uma qualidade de vida melhor. Enquanto não conseguem exercer suas profissões, aceitam trabalhar em qualquer ramo, de ajudante de pedreiro (eles) à administração de empresas (ela).
       Segundo informações do Ministério da Justiça, constantes no site institucional, o fenômeno migratório teve início em 2017 e 2018. O registro de entrada na Brasil é de quase 331 mil venezuelanos. Cerca de 199 mil nacionais da Venezuela entraram via Pacaraima/Roraima, sendo que desse total, 101 mil já saíram do Brasil com destino à Colômbia ou Bolívia.
       Segundo dados de Janeiro de 2019 do Comitê dos Refugiados, 83.364 solicitações de reconhecimento da condição de refugiados foram registrados, além de 32.486 pedidos de autorização de residência, que configura outra alternativa migratória.
       Ainda de acordo com registros do Ministério da Justiça, foi instituída a Operação Acolhida, nas Cidades de Boa Vista e Pacaraima, que consistem em recepcionar, identificar, triar, imunizar, abrigar e interiorizar imigrantes venezuelanos em situação de vulnerabilidade. O processo de interiorização visa levar os imigrantes para outros estados e regiões do país com o objetivo de diminuir o impacto socioeconômico em Roraima.
       De acordo com dados da Organização Internacional para Migrações (OIM), o fluxo de interiorização dos venezuelanos é de 519 por mês. A recomendação para 2019 é que a média mensal atinja 1000 pessoas com o objetivo de desafogar os abrigos em Roraima e possibilitar a redução da população imigrante em situação de rua, estimada entre 1.200 a 1.500 pessoas.
       Dados do perfil sociodemográfico e laboral dos venezuelanos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Imigração, mostra que 77% deles aceitam deslocar-se para outro estado brasileiro desde que encontrem condições mais favoráveis no destino, como oferta de trabalho e vaga em escola para os filhos, por exemplo.
       E o Ceará tem sido um dos destinos, entretanto, essa “acolhida” tem sido feita de maneira rudimentar, sem planejamento ou política instituída. Os venezuelanos são orientados a irem à Pastoral do Migrante, que os encaminha para outros órgãos (Polícia Federal, CRAS, etc.), a depender da necessidade de cada um.