domingo, 1 de setembro de 2019

Um pouco da história de uma religiosa



Texto: Jamille Ipiranga

       Seu apelido era “Moça Branca”, nascida em Pernambuco, com sotaque lindamente carregado, filha de Manoel Lourenço e Maria Flauzina. Na linha de nascimento foi a sexta filha, sendo oito mulheres e quatro homens.
       Edenice Maria da Silva, nasceu no campo, em Gravatá no ano de 1964. Junto com seus pais trabalhou na agricultura, colheu café, algodão, mandioca e batata. Aos 12 anos brincava, mas também trabalhava, auxiliando os pais fazendo a manutenção de mercadorias dos pontos de negócios dos vizinhos. Integrante de família grande, do interior. Hoje são 12 filhos, 19 netos e 13 bisnetos.
       Esperta, ativa e cheia de sonhos, a criança Edenice pensava em ser professora ou empresária.
       Da infância, guarda muitas recordações felizes. Gostava de conversar com os pais e ouvir histórias. Pelo pai foi alfabetizada, pela mãe, catequizada. De família pobre, aprendeu cedo a lidar com poucos recursos, administrar o que tinha. Mais tarde veremos que essa realidade muito a ajudaria com os desafios que estavam por vir.
       Desejo e saudade de Deus eram os sentimentos dos seus sete anos de vida. Inicia nessa fase os primeiros sinais de uma vocação. A leitura do Evangelho, especialmente o Sermão da Montanha, despertavam em Edenice uma necessidade de servir a Deus.  
       Na adolescência, sentimentos típicos dessa fase permeavam seu ser. O despertar de ser mulher, a beleza, estudo, trabalho, sonhos, namoro... eram muitas interrogações e inquietações. Encontrava na família seu porto seguro. Na mãe tinha uma inspiração: ser uma grande mulher como ela.
       A decisão de seguir a vocação religiosa encontrou inicialmente questionamentos na família, mas diante da resolutividade e determinação de Edenice, tudo foi aceito e apoiado.        Hoje, distante da família e amigos, encara a saudade como uma forma de amar, e acrescenta: “Para seguir a vocação é necessário deixar a família para formar outra família”.
     Apreciadora dos estudos, da pesquisa e da leitura, se orgulha de ter concluído todos os cursos que iniciou (isso não é para todos). Tem um currículo invejável. Fez o ensino pedagógico, formou-se em Pedagogia, Teologia e Serviço Social. Especializou-se em Arteterapia e Planejamento e Gestão Escolar. Edenice não para. Sedenta por aprender, ávida em aplicar seus conhecimentos, sobretudo entre os mais carentes, entre os jovens, entre os que precisam de qualquer ajuda.
    Sua experiência de 25 anos de magistério a qualifica para trabalhar com projetos desafiantes. No Colégio Santa Cecília e noutras instituições, trabalhou como assistente social, proferiu palestras, fez orientação espiritual, formou lideranças. Também atuou como conselheira espiritual de equipes jovens de Nossa Senhora, asseverando que trabalhar com os jovens é um prazer e um aprendizado constante.
       Força, verdade, justiça, trabalho e fé são valores em sua vida. E foram esses ingredientes que a fizeram tomar a decisão de assumir uma missão desafiadora de morar no Haiti no ano de 2017. E quando se pergunta quais os motivos que a levaram a ir para um país tão pobre e cheio de dificuldades, ela responde através do Evangelho: “Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mt, 5:6); “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15:12); “...A fé sem obra é morta” (Tg, 2:26). De fato, é preciso uma motivação incomum para lidar com a realidade haitiana. Irmã Edenice contou que “99,99% das pessoas dormem no chão, há um mar de fome, de sede, falta escola, há sofrimento para todos os lados. O que a fez continuar era a certeza do Reino de Deus e o seu amor para com a humanidade”.
       Deus é um capítulo à parte na vida da missionária. “Deus é o Senhor da minha vida. Há uma relação esponsal, entretanto, é um amor concreto de uma dimensão mística. Não há explicação, vivo algo muito profundo. É uma resposta de amor a Deus.” A foto do perfil nas redes sociais da religiosa é a própria imagem de Jesus Cristo.
       Por fim, falamos de sonhos... Doutorado em Espiritualidade é a resposta. E diante de tanta determinação, força e persistência, sabe-se que será uma questão de tempo.

Reportagem - Os desafios do parto humanizado em Fortaleza"



       Escolher o tipo de parto é um desafio para todas as mulheres, e no Brasil as estatísticas apontavam para um contínuo crescimento do parto cesariano – feito através de cirurgia – que atendia por vezes à demanda que a gravidez exigia, outras vezes à comodidade tanto da paciente como do médico no agendamento do procedimento cirúrgico. Em outros casos, a cesárea ocorria pela desinformação quanto aos benefícios do parto normal.
       Segundo informações do site Portal Brasil, pela primeira vez desde 2010, os números de cesarianas na rede pública e privada de saúde não cresceram no Brasil. Dados divulgados em março deste ano, pelo Ministério da Saúde, revelam que esse tipo de procedimento, que apresentava curva ascendente, caiu 1,5 ponto percentual em 2015.
        Desde julho de 2015, está em vigor a Resolução Normativa n. 368 da Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) para estimular o parto normal e reduzir as cesarianas desnecessárias. Em cumprimento à Resolução, as operadoras de planos de saúde, sempre que solicitadas, deverão divulgar os percentuais de cirurgia cesáreas e de partos normais por estabelecimento de saúde e por médico. Também serão obrigadas a fornecer o Cartão da Gestante e a Carta de Informação à Gestante, no qual deverá constar o registro de todo o pré-natal, e exigir que os obstetras utilizem o Partograma – documento gráfico onde é registrado tudo o que acontece durante o trabalho de parto. Essas e outras medidas institucionais vem contribuindo para o aumento do parto normal.
       O Ginecologista e Obstetra, Marcos Alencar, integrante da Equipe Bem Viver, prega os benefícios do parto normal e defende que deve ser adequado para cada mulher, sendo fundamental prestar todas as informações pertinentes às modalidades de parto à gestante. Marcos reforça que o parto vaginal não leva a nenhum trauma, e a recuperação da gestante é imediata. Em contrapartida, o médico também defende que a parturiente deve ser operada nos casos em que haja alguma indicação clínica.
       Quando se fala na saúde fetal, o médico também ressalta os benefícios do parto natural, como a criança expelir todas as secreções na hora do trabalho de parto, a liberação de hormônios pelas mulheres que são captados pelos bebês, além do fato da gestação está madura.
       O obstetra destaca que o empoderamento da mulher é importante diante de dificuldades que possam acontecer em clínicas e nos hospitais, que vão desde o acompanhamento do pré-natal até o momento de dar à luz, podendo a gestante questionar procedimentos e solicitar informações que a esclareçam. “Vocês [mulheres] deve encarar o parto como natural, pois é uma experiência única na vida mulher”, defende o Ginecologista.
       Diante dessa nova realidade de incentivo ao parto natural, muitas mães tem optado em receber a orientação de mulheres Doulas, cuja função é acompanhar a gestante em todo o pré-natal até a hora do parto. A Doula Priscila Rabelo, fundadora da Associação do Parto Normal em Fortaleza, argumenta que essa profissional ajuda a gestante com informações sobre o parto ao longo da gravidez, e utiliza métodos não farmacológicos como massagens, compressas, orientações de respiração e posição, além de oferecer apoio pessoal e emocional às gestantes.
       Segundo Priscila, os bebês que nascem de parto cesáreo têm 120 vezes mais chances de ter desconforto respiratório do que os  que vêm ao mundo do parto vaginal. De forma geral, ela tem percebido que há um desejo maior pelo parto normal tanto pela opção da mulher como pelo apoio da família.
Humanização

       No início da gravidez, Elaine Soares, 29 anos, fez consultas com um obstetra cesarista, que não incentivava o parto natural. Mas ela não pensou duas vezes e mudou de médico. Procurou uma ginecologista voltada para o parto humanizado e teve Gabriel de parto normal, acompanhada por uma doula, que auxiliou nos momentos doloridos do parto, fazendo massagens, utilizando compressas quentes, e sobretudo, proferindo palavras de incentivo, conta a mãe.
       No momento mais aguardado, foram apagadas as luzes e colocada uma música. O pai que cortou o cordão umbilical, e logo em seguida, mãe e filho tiveram direito a um momento único que se chama “contato pele a pele”, fortalecendo o vínculo entre genitora e rebento, aumentando as chances de uma amamentação bem sucedida e chancelando um nascimento humanizado.
Encontros
       O grupo virtual denominado “partonormalemfortaleza”, que conta com cerca de 16 mil participantes – composto por profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, doulas, grávidas e ex-grávidas, objetiva facilitar a troca de experiências e informações. Os encontros são promovidos regularmente em vários lugares da cidade como Passeio Público, Unifor, etc., para fomentar o incentivo ao parto humanizado, além da partilha de experiências.
       A Associação do Parto Normal em Fortaleza oferece formações com doulas mais experientes para quem se interessar em ingressar na profissão.

Perfil - Simples assim, ou não...

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 “Já fui babá, mas quebrei a linha de doméstica da família. Cozinho muito bem e sou a primeira pessoa da minha família a se formar.” É assim que Andreza Íris inicia a história da sua vida, demonstrando que sabe a que veio, e como sabe.
A mãe, de onde vem toda sua força e inspiração, gostaria que ela fizesse Direito. Bem típico de mãe, mas Andreza, apesar de amá-la incondicionalmente, não exitou em contrariar o conselho maternal, e foi fazer jornalismo aos 19 anos. Fazia faxina e pagava sua faculdade. Simples assim ou não...
       Essa metade baiana, metade cearense, diante de um público de sala de aula fazendo uma coletiva sobre sua vida, não titubeou em afirmar que não quer ter filhos, não permite que os homens digam o que ela deve fazer e não exclui a possibilidade de namorar uma mulher.
       Não fala com o pai, odeia a avó e gostaria muito de dar uma surra na madrasta. Andreza é intensa, mas diante de fatos como o alcoolismo do pai e uma convivência traumática com ele na Bahia, quando passou fome e ouviu o que nenhuma filha espera ouvir de um pai, é fácil entender a mágoa e o distanciamento. A mãe, mais uma vez, foi sua heroína: fui trazê-la de volta ao Ceará e retirá-la do convívio com um pai que Andreza não tem a menor intenção de perdoar. Simples assim, ou não...
       Andreza relembra que sua mãe “batia ferro” quando ela tinha 6 anos de idade. Seria a chapinha de hoje, mas a mulher obstinada veio à tona novamente, e ela começou aceitar seus cabelos aos 19 anos. “Eu assumi ser negra”, conclui.
Sobre religião, ela diz: “acredito no meio-ambiente. Sou agnóstica, mas duvido da existência de Deus.”
       E no meio de tantas histórias, traz um relato de assédio, revelando que é a primeira vez que vai falar disso. E fala, emocionando a todos. Apesar da gravidade do acontecimento, ela se mantém firme, digna e corajosa. Como ela finalizou esse episódio marcante? Deu uma surra no assediador na segunda tentativa de estupro. Simples assim, ou não...
       Ver a mãe chorando muito e dizer que não queria aquela vida pra ela, marcou muito a vida dessa virginiana que dá o seguinte conselho: “Não desistam, continuem. Tem dias que você vai acordar ruim, dormir ruim, mas acreditem, aproveitem as oportunidades.”
       Mora com a mãe, padastro, vó e irmã. Atualmente a família tem casa própria, carro, e ela tem 3 gatas. Trabalha com marketing, num shopping na cidade.
       Para finalizar, relata que planeja ensinar e tem o sonho de ser doutora. Quer ser uma mistura de Eugênia com Manu, professoras universitárias que ela admira muito. Simples assim, ou não...

Editorial - Reformas...

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       A aprovação reforma da Previdência foi fácil. O governo conseguiu aprovar o texto com folga. As pessoas vão trabalhar mais, contribuir mais, ter menos benefícios e ganhar menos.  A que se deve essa insanidade de apoiadores? Há pessoas que estão ao nosso lado, e pasmem, que aprovam a reforma. Só atribuo ao maniqueísmo que se instalou na última eleição. Se você é contra qualquer ato do governo, você é petista; se você é a favor, é bolsomínio.
       Não tem coluna do meio? Cadê o olhar crítico, mesmo em relação a alguém que você tenha votado? Quando você casa com alguém, diz amém a tudo? Pois com político é do mesmo jeito, você pode e deve discordar, sem torcer que dê errado. Você pode apenas discordar. Principalmente quando se perceber que o que está em jogo é o direito do mais pobre e assalariado de se aposentar. E ao seu próprio direito também. Quando você percebe que as pessoas morrerão antes de se aposentarem ou estarão inválidas. É hora de parar de apoiar um político a qualquer custo. Tem que pensar, refletir. A manipulação está clara, desde as fakenews até os algoritmos do facebook. A massa de manobra tem sido fácil. Ninguém lê mais, só curte.
       Os sindicatos também estavam apáticos diante da aprovação da reforma. Poucas manifestações, poucas reivindicações. Já são os efeitos da reforma trabalhista, pois não é mais obrigatório o imposto sindical. Resultado: enfraquecimento das categorias que representam os trabalhadores.
A campanha contra a Justiça do Trabalho também é mais uma manipulação do governo que aí está. A quem interessa uma justiça que defende os trabalhadores e que obriga os empresários a pagarem férias, 13º salário, horas extras? Obviamente não agrada aos maus empregadores e muito menos a um governo que privilegia o crescimento econômico em detrimento do interesse social.
       Parece que todas as mudanças estão orquestradas: reforma trabalhista, enfraquecimento dos sindicatos, diminuição do poder da Justiça do Trabalho, e agora, a reforma previdenciária. Não se preocupem que não vai parar por aí. Já está no forno mais uma alteração das leis trabalhistas, que tranquilamente será para reduzir mais direitos.
       E para completar as notícias torpes e que nos envergonha: teremos um embaixador que fritou hambúrguer nos EUA! Não precisa ser petista para não concordar com reformas que atacam o pobre, o trabalhador e os direitos sociais dos brasileiros. Basta ser sensato.

Texto - Cartas de Deus



        Espero que você esteja bem, feliz e confiante que o amor sempre triunfa.
    Espero que hoje você possa iluminar os ambientes em que estiver, que você possa olhar profundamente as pessoas, da sua convivência diária, e demonstrar, com palavras e ações, o quanto as ama, e o quanto elas são verdadeiramente importantes na sua vida.
       Espero que você também seja um sinal de luz para as pessoas que simplesmente passam por você na rua, nas calçadas, no sinal, que elas sintam seu olhar amoroso e atencioso para que ela tenha um dia diferenciado, que elas percebam através do seu olhar,  o olhar de Deus, e que isso possa ser um bálsamo de ternura durante o dia.
       Espero que nos mais de 80 mil minutos diários concedidos a você, sejam direcionados para as coisas do bem, da ajuda ao próximo, que muitas vezes, está tão próximo e tão distante, que precisa só da sua delicadeza em enxergá-lo.
       Filho(a), sinta as pessoas ao seu redor, como se esse dia não voltasse mais, pois não volta mesmo, absorva todas as bênçãos ao seu redor,  sedento do melhor, do que Deus tem de fenomenal para te oferecer, como a voz de um filho, a maciez da brisa do dia, o desvelo de uma mãe, a proteção de um pai, o apoio de um amigo, a gentileza de um desconhecido, e se qualquer desses falhar, não te preocupes, Eu estarei contigo para que superes as decepções e mágoas, e te afirmo, você vai precisar PERDOAR essas pessoas que te feriram para que sigas em paz. Acredite, tudo tem um propósito, até a dor de ser magoado.
       Agora, prestes bem atenção, mesmo que haja dificuldades e motivos para tristeza, não seja um sinal de desesperanças, creia sempre que o melhor está por vir, mantenha-se firme, alegre e esperançoso de que a vida sempre valerá a pena.
       Seja um sinal de ALEGRIA no mundo, rindo, ajudando, perdoando, amando. Seja um sinal de Deus no mundo, de Cristandade, seja um testemunho vivo do amor do Pai aos homens, dessa forma, sua vida servirá de exemplo para quem ainda tem esperança de que nunca foi só isso, de que muito mais os espera, que há uma vida plena para todos que buscam a Verdade!
       Tenha um bom dia.

Texto - O calo da aliança



Desenhos animados do ícone das alianças de casamento
       Com o passar dos anos, o dedo anelar esquerdo vai criando uma marca, às vezes um “descascado”, e por vezes, um calo. Inicialmente, estranhamos ter esse novo objeto cravado indefinidamente, diuturnamente, mas tão logo ultrapassada essa fase, nossa aliança vai se encrustando de forma tal, que se confunde com nossa própria mão, parecendo que nasceram assim, colados. Já dizia nosso filho, aos sete anos de idade, que “os anéis das pessoas casadas faziam parte do corpo humano”, ponderou com sabedoria.
Assim também é o amor de casal. No início, estranhamos aquela pessoa em nossa vida, alterando nossa rotina, adaptando-se ao nosso convívio, questionando nossos hábitos. Há quem tenha pensado em “libertar-se” do matrimônio, pois precisa existir muita renúncia e o perdão necessita ser constante. Em alguns momentos parece ser tão simples desfazer-se de tanto compromisso e abnegação, então é justamente nesse momento que a vida a dois só perdura porque há três! É por causa da presença de Deus em nossa vida de casal que superamos as dificuldades, perdoamos as mágoas e mantemos as alianças. A fortaleza do amor entre homem e mulher, chancelado pelo amor de Deus por nós, alimenta a vontade de permanecermos casados.
      Por conta da maturidade do casamento, a intensidade do amor e a firmeza da fé, aquele incômodo inicial de manter um anel constantemente e uma nova vida em nosso dia-a-dia, transforma-se! Retirar a aliança, para fazer um exame por exemplo, incomoda. É como se faltasse um pedaço de nós, porque ela já fez um calo de união, de amor e de companheirismo.
       Precisamos, enquanto casal, esperar o tempo de Deus, deixar as tempestades passarem, firmarmos diariamente nosso matrimônio e sacramentar que nossas alianças físicas e espirituais estejam bem protegidas para sermos inspiração para outros casais e mostrarmos nossos calos da aliança como sinal de amor, vitória e fé em Deus.

Texto - Maternidade - um protagonismo de amor e culpa

    


Texto: Jamille Ipiranga
Ilustração: Internet / Pinterest (autor desconhecido)
      
 Ao falarmos de mãe, lembramos de amor, dedicação, carinho e zelo. Mas as mães lembram disso também? Ou melhor: elas lembram só disso? Na verdade, não. As mães vem com uma missão quase impossível de cuidar de tudo e de todos. E como nem tudo sai como planejado, vem a frustração de não ter conseguido, vem a culpa por algo não ter dado certo. Os motivos que geram isso são de toda sorte: se o filho vai mal na escola, se está triste, se não conta pra ela o que acontece, se não sabe que curso escolher, se não decidiu a carreira, ou se decidiu e não está feliz com essa escolha; se casa mal ou se não casa, se volta pra casa depois de desfeito um lar. As mães tem a ousadia de achar que tudo é culpa delas, gerando uma carga de responsabilidades inimagináveis. Alegram-se imensamente com as vitórias dos filhos e se martirizam com os seus fracassos.
       A maternidade é algo tão divino que esse compromisso é assumido no dia que a mulher se percebe mãe, podendo ser de filho biológico ou não, pois ser mãe é uma escolha, e não apenas uma imposição da natureza. Precisa desejar ser mãe.
       É um contrato eterno, gratuito e fiel, onde os deveres são infinitamente superiores aos direitos. Esse contrato divino, que não tem dia, hora, doença, trabalho, compromisso, que impeça uma mãe de “acudir” um filho. Deve-se estar atenta para que esses super deveres maternais não se tornem em super direitos filiais, gerando nestes filhos a apatia de achar que tudo será super resolvido pela mãe.
       Quando se fala da mãe, lembra-se logo da mãe de filhos pequenos. Parece até que as mães de jovens e adultos não tem a mesma importância. Se duvidar, tem até mais angústias como a dificuldade do “ninho vazio”. Já não tem a autoridade de outrora, em que bastava dizer um “sim” ou um “não” para definir o rumo das coisas. Agora não, tem que sugerir, e muitas vezes não ser ouvida. Faz parte da vida, da maturidade, inclusive das próprias mães, que tem que aceitar que os filhos crescem e tomam outros rumos, que as mães não tem mais o condão de educar, direcionar, mas continuam eternamente amando, cuidando e, inevitavelmente, se culpando...