domingo, 27 de março de 2022

Simplesmente agradecer


Texto: Jamille Ipiranga
Imagem: Angeles Balaguer por Pixabay

Estamos sempre no modo "pedir". Pedir saúde, realização dos sonhos, pedir por nós, pelos outros, pedir, pedir...

Quando alcançamos o que queremos, paramos para agradecer?! Nada! Pedimos de novo. Suplicamos aquilo que ainda está na "lista dos desejos".

É preciso uma pausa, um silenciar, um momento de gratidão. O ser humano necessita disso. Reconhecer que foi atendido. Agradecer por tantas bênçãos em sua vida.

Pela vida, pelos sentidos que tiver, pela família que integra, por respirar, pelas dificuldades que nos tornam melhores e mais humildes.

Acionar o modo gratidão é a maneira mais eficaz de sentir-se feliz porque não depende do que virá. Depende de você sentir e saborear. Agradeça, respire e seja feliz.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Ouvindo Pássaros


Texto: Jamille Ipiranga 
Ilustração: Marcilene Damasceno 

Eles teimam em cantar
Assim logo ao amanhecer
Vontade de levantar não dá,
Pois o ânimo é de entardecer.

O estômago meio embrulhado
As lembranças ainda pesadas,
Assim começa um dia calcado
Em decisões a serem tomadas.

A oração vem consolar 
Uma mente sã e pulsante,
Ideias não param de saltar
Sobre situações intrigantes.

Aí eles cantam novamente 
E acalmam qualquer aflição.
Eu vou ouvir calmamente... 
Talvez seja a melhor solução.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Bom dia seu porteiro


Texto: Jamille Ipiranga 
Ilustração: Marcilene Damasceno 

Entramos e saímos das nossas casas, apartamentos, trabalhos, cursos. Nesse ir e vir, há trabalhadores fundamentais para nossas rotinas. Dentre eles, estão os porteiros, os faxineiros e os copeiros. Cometemos a infelicidade, não pouco comum, de sequer cumprimentá-los.

Às vezes, nem os enxergamos. Eles abrem e fecham portas e portões, zelam pelos espaços comuns, servem onde estão, mas nossa cegueira humana nos faz ignorar a importância do que fazem ou mesmo a sua própria existência.

Esses funcionários estão voltados para o cuidado com os outros, com as entregas e encomendas. Limpam os espaços comuns, servem café, água, além de sorrisos e gentilezas, muitas vezes sem serem notados. Quanta dignidade em seu labor!

Transmitem informações sobre o regulamento do prédio, do que é permitido ou não, têm a sabedoria de comunicar o imprescindível ou omitir o desnecessário. O repasse de informes é mal interpretado por alguns. Não se percebe que estão apenas cumprindo suas obrigações.

Não menos importante, alertam os pais sobre a babá grosseira, o cuidado com os furtos na rua ou o presságio de que vai chover. "Melhor não sair ou então levar o guarda-chuva". Ao abrirem e fecharem portas, exercem grande responsabilidade.

Algum dia paramos para pensar como vivem, se moram perto ou longe, se trouxeram almoço ou jantar? Por vezes, nem sabemos seus nomes. Parar um pouco nas portarias, assuntar sobre sua família e trabalho com o cuidado de não os atrapalhar, já seria um excelente começo.

Podemos mudar essa realidade através de um cumprimento discreto ou caloroso, um agradecimento sincero ou a gentileza de um pedaço de bolo para um finzinho de tarde. No mínimo, esses profissionais se sentirão valorizados e servirão com mais amor e dedicação.

Boa dia seu porteiro. O senhor já tomou café?

#paratodosverem: ilustração de porteiro de camisa e gravata azuis, com uma caneta no bolso. Ele está segurando uma pequena cesta com suco, pão, fruta, uma flor e uma mensagem com "Bom dia porteiro". Ele esboça um semblante feliz.

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Eu precisava falar sobre a pandemia

Texto: Jamille Ipiranga

 Ilustração: Marcilene Damasceno

 

Já estamos perto de finalizar o ano de 2021 e muitas coisas boas e ruins aconteceram nesses últimos dois anos. Em 2020 fomos “surpreendidos” por uma pandemia ocasionada por um vírus que já matou milhares de pessoas no mundo inteiro. Eu ainda não tinha escrito sobre isso, mas só agora com a situação da covid-19 mais controlada, me senti motivada a falar sobre o assunto.

Vivenciamos um período de horrores. Pessoas morrendo rapidamente infectadas pelo coronavírus. Hospitais lotados, pacientes sem oxigênio, caixões lacrados. Famílias enlutadas que não puderam fazer o velório dos entes queridos em virtude do risco da contaminação. Por meses, uma parte considerável da população ficou isolada em casa. Aprendemos, a duras penas, a trabalhar remotamente e a estudar virtualmente.

Deixamos de encontrar amigos e familiares presencialmente. Olhávamos para as ruas sem movimentação, mórbidas, cinzas, com vestígios de luto. Os dias isolados nos mergulhou em nossas dores e medos. Tudo parou, secou, entristeceu, morreu.

Precisamos, como nunca, buscar reforços no lúdico, nas artes, na música, na terapia e na fé. Foram fortalecedores num deserto que parecia não ter fim. Por vezes, pensamos ser o fim.  Começamos a valorizar as coisas simples, a família, o lar, os telefonemas para os amigos, voltamos a jogar com os filhos, amigos e companheiros. Videochamadas salvavam os almoços de domingo, os aniversários à distância.

Na cozinha, passamos a ser protagonistas de pratos improvisados, bem sucedidos nalgumas tentativas, noutras nem tanto. Então buscávamos outras receitas, outros ingredientes para viver, inclusive. As relações interpessoais nunca foram tão testadas, casamentos foram desfeitos. Alguns já não era sem tempo. Houve um redimensionamento dos diálogos, foi necessário reaprender a conversar, a conviver.

A pandemia foi impiedosa com a mediocridade. Nós precisávamos ter um propósito, um porquê essencial ou sucumbiríamos. A grandeza dos verdadeiros líderes foi decisiva, proativa e salvou vidas. A desumanidade dos maus representantes desmascarou os genocidas. As ações dos corações nobres e valentes coloriam e transformavam um cenário desolador. 

Esse momento disruptivo da humanidade também trouxe com veemência a solidariedade. Doações direcionadas para os mais vulneráveis, campanhas se intensificaram para levar comida para a mesa de quem não tinha o que comer ou mesmo quentinhas para quem não tinha mesa. Muitas mãos e corações se juntaram para ajudar. A oração construiu superação. Deus se fez presente e foi âncora a evitar nosso naufrágio.

Hoje, um ano e meio depois do anúncio da pandemia permanecemos usando máscara, álcool em gel e mantendo certo distanciamento social. Muitos já estão vacinados contra a covid-19 e a rotina parece voltar aos poucos. A dúvida é: o que aprendemos com a crise sanitária mundial? Se retornarmos para o nosso cotidiano no mesmo frenesi de viver sem saber para quê ou por quê, perdemos uma grandiosa oportunidade de ressignificarmos nossa existência.

Por outro lado, se a resposta for implementar a mudança de cuidar de si, dos outros e da natureza, o aprendizado foi valioso e fecundo. Como vamos lidar com nossa vida e a dos outros de agora em diante, alinhados ou não, com princípios universais como justiça, honestidade, bondade e integridade, ditará para qual lado o barco da nossa vida navegará ou se ficaremos à deriva de outras fatalidades ou pandemias

quinta-feira, 15 de julho de 2021

O Amigo e a piada

Texto: Jamille Ipiranga 
Ilustração: Marcilene Damasceno 

Uma professora adorava contar essa história:
- Quando a Jamille era criança lembro que ela não queria dançar quadrilha com um certo menino da escola e eu perguntei por quê. 
- O menino é muito feio!
- E você é muito bonita, por acaso? E todos riam a valer.

Esse episódio realmente aconteceu. O "tal" do menino era o pior aluno da sala e eu tinha medo dele, mas isso não vem ao caso agora.
O que eu quero refletir com esse fato, contado até hoje, é indagar se vale mesmo a pena reforçar lembranças constrangedoras ou doloridas das pessoas?

Que sentimento é esse que a gente precisa ridicularizar os outros ressaltando as memórias ruins? Inclusive, reforçando erros cometidos no passado e que queremos esquecer e seguir nossas vidas.

Por vezes, fazemos isso com quem mais amamos para termos a satisfação de tirar boas risadas das pessoas, mas não de todas...

Os personagens das histórias podem ser filhos, pais, parentes, companheiros, amigos ou alunos, que ficam entristecidos. E o que é pior, pode acionar gatilhos dolorosos de não merecimento, tristeza ou abandono. 

Encontros familiares, escolares ou bate papo com os amigos são ambientes comuns dessas "recordações" serem trazidas a tona.

Quais histórias contam sobre nós que causam constrangimento ou tristeza? Quais nós contamos sobre eles?

Cuidemos das lembranças boas. Validemos as ações construtivas. Alavanquemos risadas que todos sorriam e façamos das nossas memórias, situações que tragam contentamento e não desconforto.

Tornar os encontros momentos de encantamento e engrandecimento coletivo é um caminho muito mais edificante.
Percamos a piada e mantenhamos os amigos.

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Para além de Amor, Respeito


Texto: Jamille Ipiranga 
Ilustração: Marcilene Damasceno 

Amar sem olhar a quem 
Encontrar sua outra metade 
Por vezes gera um desdém 
Um misto de ódio e maldade

O amor pode ter jeito diferente
Cor, idade, sexo, não importa 
Mas existe gente imprudente 
Que simplesmente não se toca

Se o amor é entre homem e mulher
Ou são pessoas do mesmo sexo
Ninguém tem que meter a colher
Se entre os dois existe bom nexo

Cada um cuide da sua vida
E deixe o amor se espalhar
Vivendo a sua própria lida
Não precisa se incomodar

Porque o que vale é ser feliz 
Ter respeito, amor e lealdade
A escolha, você é quem diz
O que vale a pena de verdade!

sábado, 8 de maio de 2021

Mães Anjo

 


Texto: Jamille Ipiranga

Ilustração: Marcilene Damasceno

 

No Dia das Mães tradicionalmente levamos um presente, um mimo, um chocolate, flores até, para as nossas mães. Às vezes, rola um cartão, um teatrinho feito pelas crianças, podendo se estender para uma cantoria nem sempre tão afinada, mas o que vale é o amor que envolve mães e filhos. E precisa ser declarado e vivenciado. Pois é. Mas hoje eu queria falar mesmo é das mães não tradicionais, aquelas que tomaram a decisão de amar independente da natureza biológica.

Tem aquelas pessoas que têm a maternidade tão aflorada que não precisou nem parir. É mãe de coração. As mães que eram tão mães que adotaram um filho porque elas não iriam se conformar em passar por essa vida sem cuidar de um ser. Poderíamos até adaptar um texto da música para “um filho pra chamar de seu”. Não sabem nada sobre a criatura, nem DNA, nem pai, nem mãe. Elas querem. Se tem doença preexistente, se vai puxar a quem, elas não titubeiam, elas querem. Elas simplesmente amam.

Outro amor de mãe, podem ser avós, tias, irmãs, madrinhas, ou nem ter parentesco. Elas se amalgam na vida dos filhos dos outros, não sem motivo, e amam intensamente. Tem vó que precisou criar neto, tem tia que viu sobrinho abandonado e pegou para criar, tem madrinha que assumiu a maternidade pela falta dos pais, tem irmã que virou mãe, tem madrasta que foi boadrasta, tem mulher que não tinha nada a ver, mas foi lá e cuidou e amou como uma mãe.

Dentro de quantas casas essas situações não aconteceram e acontecem até hoje? Quantos de nós não fomos acarinhados ou salvos por essas mulheres, que muitas vezes, nos enxergaram, supriram nossas carências, pegaram em nossas mãos, nos tiraram da solidão e do abandono.

Então, mãe não só tem uma porque Deus fez milhares. Fez as mães anjo. E elas estão por todos os lugares, em todas as casas, em todas as vidas. Nesse Dia das Mães e por que não no ano todo, vamos agradecer também por tantas mães anjo que temos em nossas vidas. O dia é delas também. Merecem nossos parabéns, amor, reconhecimento e valorização. Feliz Dia das Mães, mãe, vó, tia, madrinha, irmã, madrasta, anjo.