quinta-feira, 15 de julho de 2021
O Amigo e a piada
quinta-feira, 10 de junho de 2021
Para além de Amor, Respeito
sábado, 8 de maio de 2021
Mães Anjo
Texto:
Jamille Ipiranga
Ilustração:
Marcilene Damasceno
No Dia das
Mães tradicionalmente levamos um presente, um mimo, um chocolate, flores até,
para as nossas mães. Às vezes, rola um cartão, um teatrinho feito pelas
crianças, podendo se estender para uma cantoria nem sempre tão afinada, mas o
que vale é o amor que envolve mães e filhos. E precisa ser declarado e vivenciado.
Pois é. Mas hoje eu queria falar mesmo é das mães não tradicionais, aquelas que
tomaram a decisão de amar independente da natureza biológica.
Tem aquelas
pessoas que têm a maternidade tão aflorada que não precisou nem parir. É mãe de
coração. As mães que eram tão mães que adotaram um filho porque elas não iriam
se conformar em passar por essa vida sem cuidar de um ser. Poderíamos até
adaptar um texto da música para “um filho pra chamar de seu”. Não sabem nada
sobre a criatura, nem DNA, nem pai, nem mãe. Elas querem. Se tem doença
preexistente, se vai puxar a quem, elas não titubeiam, elas querem. Elas simplesmente
amam.
Outro amor
de mãe, podem ser avós, tias, irmãs, madrinhas, ou nem ter parentesco. Elas se
amalgam na vida dos filhos dos outros, não sem motivo, e amam intensamente. Tem
vó que precisou criar neto, tem tia que viu sobrinho abandonado e pegou para
criar, tem madrinha que assumiu a maternidade pela falta dos pais, tem irmã que
virou mãe, tem madrasta que foi boadrasta, tem mulher que não tinha nada a ver, mas foi
lá e cuidou e amou como uma mãe.
Dentro de
quantas casas essas situações não aconteceram e acontecem até hoje? Quantos de
nós não fomos acarinhados ou salvos por essas mulheres, que muitas vezes, nos
enxergaram, supriram nossas carências, pegaram em nossas mãos, nos tiraram da
solidão e do abandono.
Então, mãe
não só tem uma porque Deus fez milhares. Fez as mães anjo. E elas estão por
todos os lugares, em todas as casas, em todas as vidas. Nesse Dia das Mães e
por que não no ano todo, vamos agradecer também por tantas mães anjo que temos
em nossas vidas. O dia é delas também. Merecem nossos parabéns, amor, reconhecimento
e valorização. Feliz Dia das Mães, mãe, vó, tia, madrinha, irmã, madrasta, anjo.
domingo, 18 de abril de 2021
BBB de Deus
Texto: Jamille Ipiranga
Ilustração: Marcilene Damascento
Refletindo sobre o Big Brother Brasil me deparei com o BBB
de Deus. Às vezes penso que a gente está num reality show e Deus está nos
olhando. Então eu penso: será que estamos agradando a Nosso Senhor? Quanto
tempo mais Ele permitirá que fiquemos na Casa Comum?
Será que minhas atitudes vão me salvar do paredão do
inferno? E nas provas da vida, eu ganho ou perco a misericórdia de Cristo? Faço
tudo ao meu alcance para que outras pessoas vençam comigo ou sou implacável e
quero o pódio da vitória só pra mim?
Se eu tivesse um anjo para dar, protegeria a pessoa correta?
Melhor: eu tenho realmente sido anjo de alguém? Da minha família? Amigos?
Desconhecidos? Ou estou fazendo as alianças com as pessoas erradas? Priorizando
as coisas terrenas em detrimento das eternas?
Se eu fosse monitorada 24h pelo Espírito Santo, o que seria
selecionado para ser exibido em rede divina? Minhas lamúrias e lamentações?
Minha maledicência da vida alheia? Onde está o foco da minha vida? No bem ou no
mal?
Sendo líder e tendo abundância de bens, como vou agir?
Reconheço os talentos de outras pessoas? Distribuo com quem não tem? Incluo ou
excluo? Até onde vai verdadeiramente a minha fé? Pago o preço e vou até o final
para ser uma pessoa do bem? Ou tenho me limitado em cancelar quem eu não
aprovo?
Se eu for selecionada para ir para o quarto secreto ou um fazer
um isolamento social, vou aproveitar para repensar minhas atitudes? Ou vou
retornar para o jogo da vida sem fazer mudança nenhuma? Ou pior ainda, voltar
mais implacável e com vontade de me vingar das pessoas? Vou aproveitar melhor o
tempo ou continuar numa corrida frenética e dispersa?
Nossa vida acaba sendo um eterno Big Brother, onde seremos
avaliados pelas nossas ações. Nosso dia a dia vai definir se caminharemos para
uma estrada aparentemente mais difícil, cuidando de si e dos outros ou se
optaremos em viver na xepa das emoções egoístas. O que vale mais: ser ou
vencer?
Cuidemos, portanto, desse grande reality show que é a nossa
própria vida porque não será um público qualquer que irá fazer a escolha do
certo ou errado. O julgamento será superior ao humano e usará critérios como
amor, solidariedade e compaixão para avaliar se ganharemos o prêmio final.
Cuidemos para subir o pódio certo do grande show da vida, que virá inevitavelmente
após a morte. Se cuida, brother!
domingo, 14 de março de 2021
Olha Isabel!
Texto Jamille Ipiranga
Ilustração Luthe Bunny
À noitinha, vi uma criança de 5 anos na rua. Um menino negro, pobre, só de calção. Ele gritava para a irmã que ia à frente.
- Olha Isabel! Ele tentava com muito custo subir num skate. Queria mostrar o que sabia (ou não) fazer com o skate. E insistia:
- Olha Isabel, olha Isabel. Ela não olhava. Nem diminuía o passo. Não se importava. Estava preocupada com suas próprias questões.
Queria ter podido imaginar um bom futuro para aquele menino, mas as estatísticas não permitiram.
Pisquei os olhos e ao reabri-los vi o menino dando lugar a um jovem que não teve oportunidade de estudo, nem de trabalho, com uma arma na mão.
Ah, dessa vez, nós e Isabel olharíamos pra ele. Não seria mais invisível para ninguém.
Enxerguemos os meninos de rua hoje para não vê-los de armas amanhã.
Olha Isabel!
domingo, 24 de janeiro de 2021
O que foi 2020 e o que precisamos ser em 2021
Texto e imagem: Jamille Ipiranga
O ano de 2020 foi um ano de pandemia, de adoecimento, de milhares de mortes, de enterros sem velório, partidas sem despedidas. Um ano que preparou nosso despreparo, nosso destempero e nosso desamor. Por outro lado, também foi um ano de estar mais perto dos seus, dialogar mais com a família, conversar com os amigos, doar mais, pensar mais e em silêncio se manter.
Houve uma reinvenção de viver. Teletrabalho, cursos online, lives musicais, doações virtuais. Fomos solidários sem sair de casa. Tudo muito novo e inédito. Em momentos nos adaptamos, noutros nos desesperamos. Isolados por meses dentro de casa, a convivência não era fácil, mas o silêncio tudo acalmava. E no dia seguinte, novo ânimo reiniciava.
Fizemos aniversários, bingos, reuniões e comemorações conectados por um link, por videochamadas. Estávamos presentes de alguma maneira. Estudamos em salas de aula online, defendemos monografia virtualmente, colamos grau em estilo Drive In. Impensável! Recebemos presentes, cartões e mimos em datas comemorativas ou não, que nos davam um alento que o amor estava por perto, em formato de carinho.
A forma de comunicação eficaz também mudou. Uma videochamada nos alegrava. Fizemos cafés remotos com conversas reais. Nunca foi tão bom atender um telefonema! Fizemos dinâmicas entre amigas de ligarmos umas para as outras. Passamos horas em conversas. Voltamos às antigas. Vovós, netos, pais e filhos, familiares e amigos se conectaram de formas que nunca imaginaríamos.
Odiamos e nos apaixonamos por nós mesmos, por quem somos, por quem nos tornamos. Às vezes falávamos, em momentos calávamos, muitos instantes soluçávamos. Foi um turbilhão de coisas e ao mesmo tempo, nada. Nada de sair, de encontrar, de aglomerar. Havia um caos interior misturado com um por vir esperançoso que essa fase iria passar.
2021 chegaria. Tudo iria embora. Doença, coronavírus, máscaras. Nada! O Ano Novo rompeu e milhares de vida continuaram a ser perdidas. O adoecimento chegou, o isolamento foi necessário e voltamos a 2020. Entre medo e cuidados, vamos seguindo esperançosos mesmo que o normal não volte a ser como antes.
Acreditamos firmemente que tudo tem um propósito. Mesmo que precisemos viver de outra forma e realmente precisamos. Mesmo que não estejamos preparados. Releituras, amor em qualquer situação e presença carinhosa são as maiores lições que 2020 e 2021 nos têm dado. Sigamos nossos corações irmanados com nossa essência de servir e amar para além dos anos de pandemia.




